2018 – Carlinhos Cachoeira, governador de Goiás

Em um dos diálogos entre o senador Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira, Demóstenes afirma que o “homem”, Marconi Perillo, quer que ele concorro a prefeito de Goiânia esse ano, mas que isso só favoreceria Carlinhos Cachoeira.

Demóstenes Torres não concorreria a reeleição em 2016, apoiando seu amigo Carlinhos para a prefeitura e dois depois, ele e Marconi apoiariam Carlinhos Cachoeira para governador. Demóstenes confuso repete 2018 duas vezes, mas a mensagem sugere que seria 2016 e 2018.

Demóstenes acabaria desistindo da candidatura à prefeito e a polícia federal com a operação Monte Carlo acabou com o sonho de Carlinhos assumir oficialmente o Palácio das Esmeraldas. Certamente sairia mais barato do que pagar propinas aos amigos Maguito Vilela, Marconi Perillo e Alcides Rodrigues.

 

Senador Mário Couto e ex-governador Wellington Dias são citados nas escutas.

As escutas da Operação Monte Carlo contém citações ao senador Mario Couto (PSDB-PA) e ao ex-governador Wellington Dias (PT-PI). As informações existentes ainda não são conclusivas, mas os dois passam a ser suspeitos de envolvimento não só com Demóstenes Torres, mas também com Carlinhos Cachoeira.

O petista José Wellington Barroso de Araújo Dias é citado por Demóstenes como “nosso governador” em fala com Carlinhos Cachoeira.

Já com o senador tucano, seria um mero caso de negócios. A aproximação de Mário Couto é feita pelo senador Demóstenes Torres. Carlinhos Cachoeira queria fazer um negócio com Mário Couto, que possivelmente é o “Couto” citado em outra conversa onde é  dito existir um negócio de R$ 144 milhões. A suspeita sobre o senador é grande por ser o único Couto citado em todo o inquérito e por a polícia afirmar serem R$ 144 milhões, quando Carlinhos diz apenas ser um valor acima de R$100 milhões. Está claro que há entre as conversas não divulgadas uma nova escuta revelando o valor de R$144 milhões.

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As escutas apresentadas ainda são insuficientes para concluirmos sobre o envolvimento dos dois, mas eles são muito suspeitos.

A amizade e os negócios do senador Ataídes com Cachoeira

As escutas da Operação Monte Carlo mostram uma relação de grande amizade do senador Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) com o contraventor Carlos Cachoeira. O senador empresta avião, marca encontros para tomar vinhos e fazer negócios de milhões.

A conversa mais intrigante no entanto é como o senador Ataídes publicou uma matéria jornalística no jornal O Estado de Goiás através de Carlinhos Cachoeira. A reportagem seria assinada por Marcos Viera.

O senador foi procurado em duas ocasiões para emprestar um avião para Carlinhos. Em uma delas é para Cláudio, diretor da Delta, ir ao local do acidente envolvendo a esposa de Fernando Cavendish, dono da Delta.

Em outra ocasião o senador marca um encontro com Carlinhos Cachoeira, Eliane Pinheiro- chefe de gabinete de Marconi Perillo e Wladimir Garcez. O assunto da reunião seria um negócio envolvendo “Paulinho” e o senador Ataídes onde Carlinhos Cachoeira ganharia R$ 7 milhões.

O senador também procura Carlinhos para saber o telefone do ator e deputado Stepan Nercessian. Marconi Perillo, Demóstenes, Gilmar Mendes novamente são citados nessas conversas.

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A influência de Cachoeira na Infraero

Alguns dos diálogos mais interessantes capturados na Operação Monte Carlo envolvem a nomeação de um funcionário na Infraero. A Folha de São Paulo divulgou a notícia, mas de forma velada e por isso estou expondo todo o conteúdo das conversas.

A figura chave nessa nomeação é “Ferreirinha”  , um homem ligado à José Sarney, que faz as negociações do grupo de Cachoeira com Antônio Gustavo Matos do Vale, presidente da Infraero, após um pedido de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central do Brasil.

Raimundo Costa Ferreira, que foi porteiro do Palácio do Planalto por 30 anos, e hoje estaria na Infraero, e seria indicado para a superintendência regional.

Julgando pelos diálogos “Ferreirinha” era um homem muito influente, tendo contatos com alguns deputados, além do próprio José Sarney. O blog julga que talvez tenham dois Ferreiras envolvidos porque a polícia escreve: “A respeito do pedido de Ferreirinha, ex-presidente do banco.”

Entres os políticos que estiveram envolvidos com a nomeação do funcionário da Infraero estão a deputada Eliana Pedrosa (PSD-DF) e diversas pessoas não identificadas pela polícia.  Por isso o blog defende que os áudios sejam mostrados para que possamos compreender melhor esse caso, que deveria ser investigado pela CPMI.

Rogério Amado Barzellay é um engenheiro que trabalhava no DNIT, foi superintendente de segurança aeroportuária e já assumiu a Diretoria de Operações da Infraero, considerada a mais importante do órgão. Rogério Barzellay foi nomeado nessa época para chefe da Unidade de Administração Geral da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal.

Rogério aparece num grampo conversando com Ferreira sobre ter nomeado veteranos da aeronáutica para investigar a vida do Governo do Distrito Federal e políticos do PSOL. Seria o brigadeiro Agostinho Shibata o responsável por esse dossiê?

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Medicina na Faculdade Padrão era objetivo de Carlinhos e Demóstenes

A escutas da Operação Monte Carlo mostram que Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres trabalhavam na intermediação entre a Faculdade Padrão e o Ministério da Educação para conseguir a instauração do curso de medicina na instituição.

Demóstenes Torres havia conversado com o chefe de gabinete do ministério e marcado com o ministro, mas o pedido estava bloqueado. Não era uma causa muito fácil para os dois que recorreram a consultoria com um especialista no assunto.

As conversas também revelam que o grupo estava envolvido com o presidente da Câmara de Anápolis, Amilton Batista (PTB).

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Dadá era a “fonte” de Andréa Michael, ex-Folha de São Paulo

Andréa Michael é aquela jornalista que avisou Daniel Dantas sobre a Operação Satiagraha através da Folha de São Paulo. Na época o delegado queria a prisão preventiva da jornalista.

Agora sabemos que sua fonte era o Dadá, que também deve ser a fonte de todo o jornalismo investigativo no Brasil.

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Ênio Branco, a máfia do jogo dentro do governo catarinense

Ênio Branco já era muito suspeito! O blog revelou com exclusividade que o mafioso argentino Roberto Coppola queria encontrar com Ênio Branco, para saber se o CODESC iria acabar, mas que este estava em um evento entre os governadores Marconi Perillo e Raimundo Colombo.

Agora sabemos que Ênio Branco, além de quebrar a companhia de energia de Goiás, é realmente membro da máfia sul-americana de caça-niqueis.  Ênio Branco, secretário de comunicação social de Santa Catarina, era presidente da SC Parcerias em 2011. A SC Parcerias é o “braço empreendedor do governo catarinense”.

As escutas telefônicas mostram que Demóstenes, Cachoeira, Coppola e Ênio Branco faziam diversas reuniões. E Ênio era o elo da máfia no governo de Santa Catarina. A suspeita é que o próprio Ênio seja indicação de Roberto Coppola, como mostra os e-mails também mostrados no blog sobre o encontro de Raimundo Colombo com o mafioso argentino.

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